Entre as tecnologias veiculares que prometem acabar de vez com os acidentes de trânsito está a comunicação dos carros inteligentes.

Já imaginou se seu carro se comunicasse com os veículos que o cercam e mais, se ele se comunicasse também com a infraestrutura e as vias públicas?

A ideia

A ideia de carros inteligentes não é nova e há algum tempo existem órgãos estatais e empresas em várias partes do mundo trabalhando juntos para o desenvolvimento da tecnologia.

O objetivo é viabilizar a interação entre os veículos e a cidades, possibilitando a transmissão de dados sobre condições de tráfego e mobilidade, além da segurança.

Enquanto a comunicação entre veículos (v2v) previne colisões transmitindo informações entre motoristas sobre a velocidade e mobilidade de carros em sua trajetória, a comunicação entre os veículos e a infraestrutura do trânsito (v2i) previne avanços de sinal, freadas repentinas e congestionamentos. Em 2017 a Audi entrou para a história como a primeira montadora a lançar modelos de carro que se conectam a semáforos, o A4 e o Q7. A tecnologia batizada de TLI (Traffic Lights Information) indica no painel a contagem regressiva para abrir ou fechar o sinal e a necessidade de reduzir ou não a velocidade.

Como funciona?

Basicamente, a tecnologia v2i funciona através da internet. Os centros de gestão de tráfego transmitem os dados das luzes de semáforo via internet para o sistema e os veículos recebem, em tempo real, os dados enviados. É possível ainda que os carros transmitam à central seus dados, para que o manejo do tráfego seja ainda mais acurado e eficaz. O sistema da Audi ainda se limita à transmissão de informações sobre os semáforos, v2i. Mesmo assim, o recurso trouxe benefícios mensuráveis, como a redução de 20% em frenagens bruscas e uma economia de 15% no gasto de combustível.

A transmissão de informações entres os veículos é ainda mais importante quando consideramos a condução veicular autônoma. Saber precisamente a velocidade, trajetória e aceleração dos veículos ao redor é o pilar que ainda falta para sua aplicação em massa. O trabalho da comunicação entre veículos permitirá que as unidades conversem entre si, enviando alertas de potenciais problemas que estão fora do alcance dos sensores instalados no próprio veículo, informações que hoje estão fora da atuação do sistemas.

Diferente da comunicação com a infraestrutura, cuja recomendação é a internet, a comunicação v2v poderia funcionar tanto por uma rede móvel como, preferencialmente, via Comunicação Dedicada de Curta-Distância (DSRC), uma frequência de rádio.

Segurança do próprio sistema

Se por um lado a comunicação entre veículos visa aumento de segurança no trânsito, a própria tecnologia necessária à sua implantação tem a segurança questionada. Entre os maiores desafios da comunicação v2v e os carros autônomos estão a privacidade e a confiabilidade dos sistemas. A rede de informações seria complexa e muito suscetível a ataques de hackers, expondo os usuários a novos tipos de crime digital.

Essa é uma das preocupações de países como os EUA, que pretende avançar no uso e na regulamentação dessas tecnologias nos próximos anos.
Só o tempo e a evolução dos sistemas determinará se será possível encontrar maneiras seguras para as operações.

No futuro

Atualmente, os sistemas autônomos ainda são menos eficazes que os humanos. Um estudo realizado pela Universidade de Michigan em agosto de 2017 provou que os seres humanos ainda são melhores em tomadas de decisão, percepção e senso geral de posição.

Portanto, a melhor aplicação dessas tecnologias ainda é como um suporte às habilidades humanas. Combinados, humanos e tecnologia de carros autônomos, a performance é significativamente melhor. Entretanto, com o desenvolvimento e disseminação da tecnologia entre veículos, os carros autônomos passam a ser possíveis. No futuro, os carros particulares se comunicarão não apenas com os semáforos e entre si, mas com toda a infraestrutura de transporte, como pedágios, estacionamentos e, porque não, aeroportos e outras estações para a troca de modalidade de transporte.

A rede de veículos conectados informará como evitar congestionamentos, onde estacionar, como evitar acidentes e possibilitará a criação de cidades inteligentes.

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